Em resposta oportuna ao nosso querido Prof. TARCÍZIO, em relato de uma de suas experiências em BQ, sob o Comando do então Brig. CAMARÃO, respondi àquele ilustre Mestre o texto que se segue abaixo.
"Prof. Tarcízio, bom dia!
Após leitura das suas experiências como 'guerrilheiro bqano', voltei ao 2° ano da EPCAR, em 1968.
Naquela ocasião, também fui agraciado em compor o grupo dos guerrilheiros naquela tão esperada Manobra de Cabangu.
Totalmente verdadeiras e cheias de vida as suas abordagens!
Uma experiência ímpar!
Desligados da Tropa Legal, tínhamos a liberdade e a capacidade de mobilidade rápida e eficiente perante a tropa legal - estática e sob rígido comando.
De fato, as nossas jornadas aleatórias para surpreender o 'inimigo' eram fenomenais e espetaculares..., porém, tínhamos que enfrentar o frio e as intensas chuvas, mormente nos deslocamentos noturnos.
A necessidade de alimentação era crucial!
No segundo dia, sem comermos nada consistente, apesar do apoio dos moradores locais que nos brindavam com café, leite, pão e outros alimentos disponíveis, tomamos conhecimento de que uma carga de suprimentos e alimentos chegaria à Estação de Trem de Cabangu pela manhã.
Fizemos nosso planejamento e partimos para a missão!
Mantivemos a tocaia e quando a composição parou e iniciou o descarregamento dos sacos com víveres, entramos em ação.
Daí veio a surpresa reação de um oficial (acho que era um médico), que fora de sintonia com o treinamento, se negara a entregar parte daquela preciosa carga para nós!
Houve um forte embate verbal, mas o oficial não cedia... Não tivemos opção, rendemos o militar e, verdadeiramente, promovemos o necessitado 'saque'!
Após esse feito, veio a indagação: será que irão nos punir, no regresso?
Felizmente, creio que os organizadores ao tomarem conhecimento daquele episódio, consideraram-no dentro da normalidade e espírito do exercício e nada nos aconteceu.
Na última noite do treinamento simulado, nosso grupo resolveu que deveríamos invadir o acampamento da tropa legal, já nas proximidades da Fazenda Cabangu.
Planejamos tudo e por volta da 1h da madrugada, noite bastante chuvosa, visualizamos o sossegado acampamento, promovendo o acolhedor repouso àqueles infantes dorminhocos, confortavelmente instalados nas suas barracas.
Havia uma grande e bela fogueira ao centro do acampamento, então, decidimos que, para marcar nossa presença e sucesso da investida, deveríamos explodi-la!
Não me recordo quantos éramos, mas fomos eficazes nas ações de desassossego, causar tumulto e a 'cereja do bolo' - Explosão do Fogueirão.
Coube a mim e outro guerrilheiro a façanha de 'dinamitarmos' aquele alvo!
Sucesso Total!
Tocou o Rebu no Acampamento!
Eu não sei o que ocorreu com os demais companheiros do grupo, pois, após 'arregaçar a fogueira', não fui eficiente na fuga, fui capturado e aprisionado em uma barraca do comando da tropa, onde passei o resto da noite - tratado como prisioneiro de guerra! Zero direito a qualquer coisa! Até que, no dia seguinte, já na Fazenda Cabangu, Exercício Encerrado, resgatei meu 'status' de Aluno, retornando ao convívio normal.
Como bem você (Prof. Tarcízio) caracterizou. Uma experiência fantástica que me promoveu marcas indeléveis que me afloram a memória, como se lá, ainda, estivesse nos dias de hoje!
Uma espetacular viagem no nosso TÚNEL do TEMPO!
Sincera gratidão por tudo que passei naquela OM. Permanente orgulho de ser parte daqueles que lá, receberam as primeiras noções da vida castrense, de brasilidade, de civismo, de cidadania, de respeito e de culto aos símbolos de nossas instituições civis e militares."
Saudações BQanas a todos.
kkkkkkkkk
Osmar N. Amorim - BQ67-377